sábado, 20 de julho de 2013

Reprogramando a Mente por meio da Sugestão...

Autoria de Ivo Maioli   
Depois de analizarmos em profundidade a questão da sugestão mental, através do artigo "A Força da Sugestão Mental", retornamos à este tema.
Sabemos que nos dias atuais, os Buscadores da Verdade, tem encontrado formas equilibradas de compreenderem a espiritualidade com uma visão um pouco mais científica. Estamos olhando para a ciência com vistas a uma maior abertura espiritual.
Compreender os mecanismos de aprendizagem humana, para podemos reprogramar nossa mente, alterando estados de consciência, tem sido um desafio. Precisamos ser um pouco cientistas... entender mais acerca da psicologia, estudando o comportamento humano. Agregar espiritualidade. reposicionando "Deus" dentro de nós próprios. Isso nos devolverá o poder criativo, nos motivará a que efetuemos as mudanças que são necessárias. Este é o novo modelo de Fé que o Ser Humano está convidado a desenvolver no Séc. 21!
O conhecimento do modo por que funciona a sugestão e os melhores métodos para torna-la eficaz, são meios de influenciar nossa mente interior satisfatoriamente. Por meio de sugestões, podemos capacitar nosso subconsciente para o trabalho, assim como enfatizar motivações e a necessidade de nos livrarmos de mossas importunas, reflexos, compulsões e velhos hábitos.  ... 
O conhecimento do emprego da sugestão pode ser muito util a um programa para uma vida melhor, proporcionando mudanças benéficas em nosso carater, além de outras. Até modificações fisiológicas em nosso corpo poderemos obter pela sugestão pois, sem dúvida, o subconsciente controla todo o mecanismo do corpo e pode ser influenciado para alterar suas funções. Todos somos de certo modo sugestionáveis, alguns mais que outros.

Confunde-se, as vezes, sugestibilidade com credulidade, coisas muito diferentes. Crédula é a pessoa que se deixa engodar com facilidade, que aceita, sem analisa-las, idéias de outrem. Já a sugestão pode ser definida como um processo de comunicação que resulta na assimilação convicta de uma idéia sem fundamento lógico. 
É util a sugestibilidade; a credulidade nos traz desvantagem em benefício de outrem.

A FÔRÇA DA SUGESTÃO

A sugestão pode ser utilizada para disciplinar-nos e controlar-nos, mas pode também ser usada para assumir o controle e dominar outras pessoas que não
conheçam as leis da mente. Em seus aspectos negativos, é um dos mais destruidores padrões de reação da mente, causando miséria, fracasso, sofrimento, doença e desastre. Desde a infância que a maioria de nós tem recebido sugestões negativas. Não sabendo como impedi-las, aceitamo-las inconscientemente. A menos que, quando adulto, utilizemos auto-sugestões construtivas, as impressões feitas no passado podem causar padrões de comportamento que serão responsáveis pelo fracasso em nossa vida pessoal e social. 
Se olharmos para trás, podemos facilmente recordar como nossos pais, amigos, parentes, professores e companheiros contribuiram para uma campanha de sugestões negativas. Se estudarmos as coisas que nos foram ditas, descobriremos que muitas sugestões negativas vieram sob a forma de propaganda. O objetivo da maior parte do que se disse, foi para controlar-nos ou instilar medo. Esse processo de heterosugestão executa-se em cada casa, escritório, fábrica e clube. Descobriremos que muitas dessas sugestões tem
o propósito de fazer-nos sentir, pensar e agir como os outros querem e da maneira que lhes seja mais vantajosa.

CONTROLANDO POR SUGESTÃO O SUBCONSCIENTE

O homem controla por sugestão as operações do seu próprio subconsciente, Ainda que a sugestão esteja em direta contradição com sua própria crença objetiva. E isso é verdade mesmo que a sugestão seja contrária a razão, a experiência ou a evidência dos sentidos. Se resultados tão drásticos podem produzir-se quando em oposição aos mais poderosos instintos da natureza humana (os da sobrevivência) quanto mais facil não será produzir resultados de igual modo espantosos, quando se opera construtivamente, em harmonia com esses instintos, ou seja, na linha de menor resistência. 

Para bem compreendermos os fenômenos da sugestão, é preciso saber que há em nós dois indivíduos completamente distintos um do outro. Ambos são inteligentes, mas enquanto um é consciente o outro é inconsciente. É a razão pela qual a sua existência, geralmente, passa despercebida. Se compararmos o ser consciente ao ser inconsciente, constatamos que, enquanto o consciente é frequentemente dotado de uma memória falha, o inconsciente é, ao contrário, provido de uma memória maravilhosa, impecavel, que guarda, sem o sabermos, os menores acontecimentos, e os mais insignificantes fatos da nossa vida. E, como é ele quem preside o funcionamento de todos os nossos órgãos, por intermédio do cérebro, dá-se um fato, que decerto parecerá paradoxal: se ele julgar que sentimos esta ou aquela impressão, de fato sentiremos esta ou aquela impressão; ou julgar que um órgão funciona bem ou mal, de fato o órgão funcionará bem ou mal. 

O Subconsciente não preside somente as funções do nosso organismo, preside tambem o acabamento de todas as nossas ações, quaisquer que sejam elas. A ele é que chamamos imaginação, e é quem, ao contrário do que se admite nos faz agir, mesmo contra a nossa vontade, principalmente quando há antagonismo entre essas duas forças - VONTADE e IMAGINAÇÃO.

Todos nós somos sugestionáveis, em intensidade variavel. Logo, nosso subconsciente pode positivamente ser influenciado pela sugestão. É mais facil mudar os pontos de vista e as idéias do consciente do que do subconsciente, mas a sugestão pode ser de grande valia para influenciar nossa mente interior a também aceitar as idéias novas que trazemos conscientemente.

TIPOS DE SUGESTÃO

As sugestões podem ser diretas ou indiretas. Pode-se sugerir por meio de insinuação ou ordem. Se nos disserem de modo positivo, que temos de fazer alguma coisa, é uma ordem. Será insinuação, se usarem a expressão: “Voce pode fazer isto?”. Quase ninguem gosta de ser mandado. Portanto, aceitamos melhor a insinuação que a ordem. Entretanto, tudo depende da pessoa, pois há quem atende melhor a ordem. É provavel que exista neste caso necessidade inconsciente de ser dominado.

O PODER DA SUGESTÃO ESTÁ NA CRENÇA

A eficácia da sugestão depende em grande parte da crença e da fé. A dúvida bloqueia os resultados e nega a sugestão. Devemos pensar positivamente e estar certos de que virá o resultado que esperamos. Se dizemos: “Vou tentar”, estaremos admitindo dúvida em relação aquilo que pretendemos efetuar. O que esperamos é o fracasso, e ele virá. 
Nossa atitude deve ser a de quem quer fazer alguma coisa e não tenta-la somente. Para sermos mais explícitos, devemos aceitar a sugestão feita a nós mesmos, como se fosse verdadeira. 
Naturalmente, devemos dar a nós mesmos sugestões reais. Mas se pensarmos que não funcionarão, elas realmente não funcionarão. 
Se acharmos que elas vão agir, efetivamente agirão. 
Se aceitarmos as sugestões como se fossem um fato consumado, elas se consumarão. 

A CURA PELA SUGESTÃO

Toda doença, quase sem exceção, pode ceder a sugestão, por mais ousada e inverossimil que possa parecer a afirmação. Não digo, cede sempre, digo pode ceder, o que é diferente, pois depende da atitude de cada individuo. 
A sugestão é um instrumento com o qual brincamos inconscientemente toda a nossa vida. Mas é instrumento perigoso, pode ferir, e mesmo matar, se o manejarmos imprudentemente. Ao contrário, salva quando sabemos emprega-la de maneira consciente. Com a sugestão pode-se determinar mudanças no funcionamento dos órgão e das glândulas. A circulação do sangue pode ser atingida e a cura de uma ferida apressada. Por sugestão o sangramento que se segue a extração de um dente pode ser controlado, etc.

VISUALIZAÇÃO CRIATIVA: A CHAVE PARA A AUTO-SUGESTÃO

A chave para a auto-sugestão é a visualização, enquanto o corpo e a mente estão relaxados. Visualizar é permitir ao subconsciente aceitar a imagem para armazenamento. Relaxar é expor o subconsciente mais sensivelmente a essa mensagem. No estado de relaxamento, a mente é receptiva e mesmo ávida de todas as imagens construtivas e positivas que se possa enviar. Não há nada místico ou misterioso sobre isso. É um modo de viver normal e bem sucedido. Essa é uma das razões por que as pessoas saudaveis, que em seus momentos de relaxamento pensam em sua saude, se tornam mais sadias. E é a razão por que as pessoas que contemplam a sua pobreza se tornam mais pobres. É tambem a razão por que as pessoas indolentes que contemplam obstáculos e limitações se atolam cada vez mais, etc. Por isso é importante compreender o grande alcance do poder da sugestão e aprender a usa-lo melhor. Se não temos esse conhecimento, trabalharemos debaixo da incredulidade. Ser incrédulo significa trazer a tona tudo o que imaginamos e acreditamos que seja fracasso. A imagística visual é uma forma de sugestão. É somente visual, sem o emprego de palavras ou pensamentos. O método consiste na formação de uma imagem visual em nossa mente, como queremos. Faz-se isto com os olhos fechados. Um bom momento para a prática desta técnica é imediatamente antes do sono da noite e logo depois que a gente desperta pela manhã. Em outras palavras, é quando nos encontramos sonolentos. O método se baseia no fato de que o subconsciente tem forte tendência para veicular qualquer imagem visual frequentemente repetida. A repetição é o segredo. Para alcançar o efeito desejado, devemos visualizar o fato muitas vezes. É bom variar as imagens, tendo sempre em vista o mesmo resultado. 

Tempo é necessário para que uma sugestão seja absorvida e levada avante pela mente interior. A sugestão verbal, quando utilizada, terá mais fôrça se a ligarem a imagem visual. Apenas pensando, podemos obter sugestão, mas é sempre bom pô-la em alavras, falando alto se possivel. 

COMO APLICAR A AUTO-SUGESTÃO

É comum querermos dar a nós mesmos sugestões; a isto se chama auto-sugestão. Hetero-sugestão é a que é dada por outra pessoa. A hetero-sugestão dá melhores resultados e em certos casos, acharemos melhor que alguém nos faça verbalmente a sugestão. Mas quando formos nos auto-sugestionar é sempre bom observarmos certas regrinhas. Por exemplo: é muito bom que escrevamos, com detalhes, exatamente o que queremos realizar. Depois, em uma ou duas frases, fazemos uma síntese, enunciando apenas o resultado final. Devemos entao repeti-la a nós mesmos muitas vezes. Depois de repetir, devemos procurar distrair-nos para que o subconsciente absorva e leve avante a sugestão sem interferência do consciente. 

 Emile Coué sustentava que a sugestão global, não específica era mais eficiente que a detalhada. Ele achava que apenas o resultado final devia ser sugerido, e não insinuada ao subconsciente como faze-lo. Este, o subconsciente, estaria mais apto a decidir quanto aos detalhes e meios a serem empregados. Coué imaginou uma fórmula geral que alcançou um vasto campo. Consiste na repetição diária e frequente da seguinte frase: “TODOS OS DIAS, SOB TODOS OS PONTOS DE VISTA, EU VOU CADA VEZ MELHOR”.

A repetição é um dos principais segredos para se obter resultado da sugestão, que deve ser repetida tanto quanto possivel. Temos prova disso com os anúncios/propaganda, que nada mais são que sugestões.Quando pela primeira vez, se ouve a fórmula de Emile Coué, a gente sente, mais é vontade de rir, porque a achamos um tanto infantil ou ridícula, se, neste sentido, a julgarmos, pelos resultados que é capaz de oferecer e que, diariamente, oferece. Não obstante, encerra, na sua simplicidade, seis palavras de uma importância enorme:“SOB TODOS OS PONTOS DE VISTA”. Que quer isso dizer? Isso quer dizer tudo, absolutamente tudo, todas as coisas em que se pensa, mesmo aquelas em que não se pensa, porque se não pensarmos conscientemente nelas, nosso subconsciente se encarrega de pensar por nós. É, portanto, uma fórmula geral, pois se refere a tudo e, sendo geral, encerra em si todas as fórmulas particulares que cada um acredita necessárias a si próprio. Não queremos dizer que com ela podemos conseguir tudo. NÃO. Mas podemos conseguir tudo o que é possivel, e o campo para isso, é muito vasto.
Quando fizermos conscientemente uma sugestão, devemos faze-la muito naturalmente, muito  simplesmente, com convicção e, sobretudo, sem nenhum esfôrço. Se a sugestão inconsciente, é muitas vezes má, e se realiza tão facilmente, é porque é feita sem esfôrço. Se algumas pessoas não obtém resultados satisfatórios com a sugestão, é porque não tem confiança ou porque fazem esforços, que é o caso mais frequente. Para se fazer uma boa sugestão, é absolutamente necessário não fazer nenhum esfôrço. Este envolve o emprego da vontade enquanto esta deve ser necessariamente posta de lado. É a imaginação, exclusivamente, que se deve recorrer. É essencial também que pronunciemos as palavras bem depressa para que não haja o menor intervalo por onde possa penetrar a idéia contrária, entre duas vezes que as pronunciamos.
Quando se está repetindo uma sugestão, não tem importância alguma o que o Consciente esteja pensando no momento. Se a fórmula é repetida mecanicamente, com os lábios, em voz alta, de modo que o ouvido escute as palavras pronunciadas, estas, por ele, penetram, no subconsciente que depois de registra-las, opera de acordo com o sentido das mesmas. Se recomendamos que se faça a sugestão nessas condições, é porque são justamente essas as circunstâncias em que a gente se coloca, conscientemente, para fazer a sugestão nociva, a qual a pessoa executa como mestre, sem jamais ter tomado lições. E por que essa sugestão nocivaé tão bem sucedida? É porque a fazemos maquinalmente, sem nenhum esforço, sem tratarmos de nos concentrar. 

A SUGESTÃO E SEUS PRINCÍPIOS

Se pretendemos conseguir algum melhoramento em alguma determinada área da vida, é preciso que tenhamos um conhecimento minucioso dos princípios básicos da sugestão. É importante também sabermos que durante o tempo em que estamos escrevendo e reescrevendo uma sugestão, estamos  convencendo o subconsciente do que desejamos e, uma vez, de quando em quando, isto é o suficiente para a consecução da melhoria desejada. Eis os princípios básicos:   

1) LEI DO MOTIVADOR EMOCIONAL POSITIVOAs emoções são os principais motivadores dos homens. Todos os hábitos, todas as configurações de comportamento recebem seu ímpeto da emoção. O segredo do sucesso e da felicidade na vida está em ser capaz de dirigir e até certo ponto controlar as emoções. Por isso se desejamos melhorar determinado aspecto de nossa vida, modificar um hábito, ou sobrepujar um embaraço, precisamos encontrar o motivador emocional que será mais forte do que a emoção, que atualmente nos domine. O próprio fato de que desejamos efetuar uma modificação em tal área, implica em que o atual fator emocional dominante é uma força negativa em nossa vida.


2) LEI DA AUTO-APROVAÇÃO

Todos nós em vários graus, preocupamo-nos com o que os outros pensam a nosso respeito. Desejamos que eles nos aprovem. Isto começa na infância, quando queremos a aprovação de nossos pais. E continua através da vida. Contudo existe algo mais importante que a aprovação por parte dos outros: é aprovar-nos a nós mesmos. Para ter paz de espírito e equilíbrio emocional, precisamos da aprovação própria. Esse princípio é importante porque uma sugestão não será eficaz, se for contrária a uma profunda convicção moral. Por exemplo, internamente, podemos estar abrigando a crença de que o dinheiro é basicamente um mal. Antes que uma sugestão relativamente ao sucesso financeiro, possa trazer resultados, é preciso que nos reeduquemos internamente quanto ao dinheiro.

3) LEI DO EFEITO INVERSO
Todas as vezes em que tentamos fazer uma modificação em nossa vida por meio de um esfôrço consciente, não teremos êxito. Na verdade, estaremos fortalecendo o hábito ou idéia que desejamos modificar. Por exemplo, quanto mais tentamos dormir durante a noite, mais ficamos acordados. Quanto mais tentamos lembrar de uma coisa tanto menos provavel será que lembremos. Quanto mais tentamos remover uma idéia da mente, mais arraigada ela se torna, etc. Portanto, a vontade não deve intervir quando estivermos utilizando a sugestão; porque, se ela não estiver de acordo com a imaginação, não somente não se consegue o que se quer, mas ainda se obtém exatamente o contrário.

4) ENUNCIADOS NEGATIVOS
Todas as vezes que um pensamento negativo é acrescentado ao nosso esfôrço, arruinaremos completamente nossas  possibilidades de sucesso. Por exemplo: “Eu não terei medo”, “Eu não esquecerei”, “Eu não comerei mais”. Enunciados desta espécie derrotam-se a si mesmo. Eles implantam na mente um vácuo negativo. Não teremos medo, mas o que teremos então? Não comeremos excessivamente, mas quanto  comeremos? Não fumaremos, mas o que tomará o lugar do fumo em nossa vida? É da maior importância que expressemos as sugestões de modo positivo. Se possivel, não devemos usar uma negativa na formação de uma sugestão. Outra fraqueza dos enunciados negativos é que mencionam as coisas que queremos modificar, mas que fazem um apelo direto a nossa imaginação. Quando declaramos: “Não terei medo”, imediatamente forma-se em nossa mente a imagem do medo. Em resultados, o medo torna-se o fator dominante em nossas pensamentos. Seria muito melhor se disséssemos: “Estarei calmo e  confiante o tempo todo, em todas as situações”. Quando fazemos uma afirmativa desta espécie, nossa mente percebe a imagem que desejamos que ela veja.

5) LEI DO JULGAMENTO ANTECIPADO
No emprego da sugestão, convém dar a nós mesmos um determinado prazo. Isto porque trabalhamos mais  constantemente e construtivamente quando temos um horário ou prazo a cumprir. Outro motivo para introduzir o elemento de tempo é que o subconsciente não percebe o tempo no sentido ordinário da palavra. É muito facil, por exemplo, distorcer o tempo quando sob hipnose. Por simples sugestão os minutos podem parecer horas e as horas podem parecer minutos. Não obstante, o subconsciente pode ser minuciosamente preciso quanto ao tempo. Por exemplo, podemos sugerir ao subconsciente que nos desperte as 5h30m da manhã, e ele será de mais confiança do que o melhor despertador.

6) LEI DO DESEMPENHO DE PAPEL
Se fizermos de conta que acreditamos em determinada coisa, ou se agirmos como se fosse alguma outra pessoa, isto terá algum efeito definido em nossa atitude e comportamento. Todos nós possuimos o que os psicólogos chamam de “auto-imagem”. Nossa auto-imagem é a maneira pela qual percebemos determinado papel que desempenhamos na vida. Se nos visualizarmos como um sucesso, desempenharemos o papel de uma pessoa de sucesso, se nos imaginamos como um fracasso, seremos fracassados, etc.

7) LEI DA EXPOSIÇÃO CONCENTRADA REPETIDA
Quanto mais nos expomos a uma idéia, tanto mais ela se torna parte de nossos pensamentos. Quando uma sugestão é repetida com bastante frequência, ela se torna altamente eficaz. De fato, quando uma idéia, verdadeira ou falsa, é repetida com frequência, geralmente alguém passa a acreditar nela. Os resultados de uma sugestão são temporários, porém  cumulativos. Da primeira vez que propomos uma sugestão a nós ou a outra pessoa, os efeitos duram poucas horas. Cada vez a duração será maior, até que, finalmente, passa a ser um hábito padrão.

RECAPITULANDO PONTOS IMPORTANTES

Os pontos importantes que deveremos ter sempre em mente é que a sugestão que contém um motivo fica sobrecarregada. Portanto, o exame dos motivos pelos quais uma sugestão deve ser levada avante será um incentivo para que a mente interior execute o que desejamos. Devemos lembrar também, ao  expressarmos sugestões, que o subconsciente toma tudo literalmente “ao pé da letra”. 
Logo, nada de expressões ambíguas. É importante também, não sobrecarregarmos o subconsciente com muitas sugestões diferentes ao mesmo tempo. A sugestão deve ser dada de modo positivo sem que seja uma ordem. É melhor sermos positivos que dubitativo. É mais enfático. A mente interior deve saber que estamos falando sério.
Praticando auto-sugestão de manhã e de noite, destruiremos o mal que porventura nós tenhamos feito, durante as horas de vigília, por meio de sugestão inconsciente e nociva. Por isso, devemos considerar a sugestão, como um meio de alimento moral, tão necessário, ou mais, do que o alimento físico de que nos servimos diariamente,  muitas vezes até sem apetite, com o pretexto de que, para viver, é preciso comer bem. O indivíduo bem sucedido é aquele que aprendeu a controlar a sugestão de modo que atende, em grande parte, somente aquilo que é bom para ele e rejeita o que é nocivo.

AUTO-SUGESTÃO

Foi estudando a hipnose que Émile Coué chegou a preciosas conclusões sobre a influência recíproca entre a imaginação, controlada pelo inconsciente, e a vontade, controlada pelo consciente. Formulou a este respeito quatro leis explicando de maneira simples o que se passa em nossa mente apavorada pelos fantasmas do subconsciente. E terminou elaborando uma eficiente técnica de controle mental pela auto-sugestão, convencido de que, vivemos criando para nós mesmos situações aparentemente intransponíveis; “Quem não experimentou esta impotência da vontade, quando somos impelidos a agir contra o que nos parece justo e bom? 

Quem não sentiu na própria carne a tirania dos maus hábitos e o poder do medo na imaginação?” Depois de vinte anos de experiências diárias, Coué transformou em fórmulas as complexas relações imaginação-vontade:

1- Quando a vontade e a imaginação estão em luta, é sempre a imaginação a vencedora, sem exceção alguma.

2- No conflito entre a vontade e a imaginação, a fôrça da imaginação está na razão direta do quadrado da vontade: 
Quando uma idéia sugere algo ao nosso espírito, quanto mais nos desesperamos com a sugestão desencadeada, mais ela será ativada. Em termos práticos: quanto mais nos esforçamos para nos libertar de traços negativos da nossa personalidade, mais sentimos que eles se impõem. Quanto mais a pessoa tímida luta para não se ruborizar, mais facilmente se ruboriza. Quanto mais o insone se esforça por dormir, mais difícil se torna conciliar o sono. E tarefas simples se transformam em impossíveis; hábitos inicialmente superficiais terminam por nos escravizar. Charles Baudouin, discípulo de Coué, chama a esta segunda lei de “Lei do esforço convertido”. Seu enunciado engloba também a lei anterior: “Quando uma idéia deflagra uma sugestão, enquanto esta idéia domina o espírito, todos os esforços que possa fazer o indivíduo contra a sugestão deflagrada, não servirão senão para fortalecê-la”.

Baudouin vê nesta lei o ponto mais alto das descobertas de Coué: “O fato de não levá-la em conta, de forçar a vontade em vez de educar a imaginaçáo, de usar esfôrço em vez de pensamento positivo, é responsável por muito fracasso no auto-domínio”. 

John Duckworth, da Clínica de Oxford para Distúrbios Nervosos, tenta esclarecer os mecanismos psíquicos em que se fundamenta a lei do esforço convertido: “Como isso se explica psicologicamente? A meu ver, desta forma: quando a gente faz algo em estado de ansiedade ou nervosismo, o pensamento se torna agudamente consciente e dirigido em torno do medo de errar, transformando-se na emoção do medo. Esta emoção pode ser subconsciente ou mesmo consciente. De qualquer forma, surge um efeito de sugestão de direção oposta ao que queremos, com resultados evidentemente negativos”. O esforço feito converte-se em força contra nós. 

3- Quando a vontade e a imaginação estão de acordo, uma não se ajusta à outra, mas se multiplica pela outra: Isto é, quando a vontade e a imaginação entram em conflito, gastamos energias de ambos os lados; quando ambas concordam, uma reforça, multiplica positivamente a outra. E os resultados serão surpreendentes. Nesta terceira lei reside, portanto, a chave para a liberação construtiva de grande soma de energia mental normalmente desperdiçada, ou mesmo usada contra nós. Quando harmonizamos a vontade e a imaginação, multiplicamos o poder de ambos e nos sentimos transportados, impelidos poderosamente para uma vida realizadora. Imagine o que é agir livre de medos, inibições, falta de confiança. Pois este é o fruto da harmonia entre imaginação e vontade. É que em toda atividade humana entram sentimentos positivos como a consciência do dever, a fé, o amor, a autoconfiança, e negativos como o medo, o bloqueio, a descrença. Educando a imaginação, a principal projetora de sombras sobre nossa maneira de agir, nos tornamos produtivos: não  gastamos energia inutilmente tentando superar os sentimentos negativos. E temos assim a imaginação a nosso favor. 

4- A imaginação pode ser governada: Por quem? Pela vontade mesmo, responde Coué. Mas uma vontade bem treinada por técnicas de auto-sugestão. Para ele, este é o método mais simples, eficiente e econômico de influirmos sobre o nosso próprio subconsciente.

A técnica de Coué é teoricamente tão simples que só os sucessos práticos demonstram sua validade. Trata-se apenas de repetir vinte vezes à noite e pela manhã a seguinte frase:“Todos os dias, sob todos os pontos de vista, vou cada vez melhor”.
A frase deve ser dita com os olhos fechados e de forma que possamos ouvir nossas próprias palavras, como quem reza uma ladainha. O momento mais adequado para o exercício é quando estamos entre o sono e a vigilia, pouco antes de adormecer ou pouco depois de acordar. A mente fica sensível a mensagens sugestivas que, gravadas mais facilmente no subconsciente, passam a operar melhorias sob todos os pontos de vista. Não há mágica no número vinte ressalta Coué. Mera convenção. Para facilitar a contagem e evitar distrações, ele recomenda o uso de um cordão com vinte nós. Como as palavras sob todos os pontos de vista incluem tudo, torna-se inútil fazer sugestões específicas. O importante é reforçar positivamente a vontade em geral. “A pessoa”, acrescenta Coué, “deve seguir este método durante toda a vida, uma vez que ele é não apenas curativo, mas preventivo”. 
Sofrimentos físicos e morais podem também ser curado pela auto-sugestão. Basta procurar um lugar tranquilo e, com os olhos fechados, passar a mão sobre o local dolorido - ou pela fronte se a dor for moral - repetindo durante certo  tempo as palavras “isto passa...isto passa ...” Segundo Coué, com a prática, a dor cessa quase instantaneamente. Importante: o processo da auto-sugestão não dispensa tratamento médico ou psicoterapêutico. Não adianta curar os sintomas, se nem sabemos da causa permanente do transtôrno. 
A dor deve ser levada a sério pelos que empregam este método. Ela é um aviso que o corpo envia ao cérebro no sentido de que algo não vai bem. Tratando corretamente as causas, a auto-sugestão apressará a cura e, só então, diminuirão as dores. Por outro lado, diante de uma forma muito intensa e na impossibilidade de obter tratamento médico imediato a auto-sugestão poderá reduzir a dor a limites mais suportáveis. A correção de uma falha de personalidade ou um mau hábito há muito tempo arraigados exige longa persistência nos exercícios. 
Quando bem aplicado, é indiscutível a eficiência desde método tão simples, pois ele se baseia num fato irrefutável: a sugestão produz efeitos reais sobre a mente e o organismo. Sem notar, vivemos usando auto-sugestão, só que em nosso prejuízo. Colocamos mil idéias negativas no subconsciente: não podemos fazer isso ou aquilo, não conseguimos romper com tal hábitos. 
Se a auto-sugestão é inevitável, por que não usá-la em nosso benefício? Toda idéia que passa por nossa mente tem influência (grande ou pequena) em nossa maneira de pensar e agir. Não só frases repetidas de manhã e à noite atuam sugestivamente. Isso também acontece com as que dizemos no decorrer de todo o dia, para os outros ou para nós mesmos. 
Prova deste fenômeno, a hétero-sugestão (sugestão de alguém para outro) tem sido empregada com sucesso na correção dos maus hábitos infantis, como roer unhas, chupar o dedo, ranger os dentes, urinar na cama, medo da escuridão. 
Os pais devem agir da seguinte maneira: logo que a criança adormece, aproximar-se a uma distância de 50 centímetros a 1 metro de sua cabeça e repetir quinze ou vinte vezes - de forma audível mas suave para não despertá-la - uma frase curta escolhida com cuidado. 
É preferível que não contenha a palavra “não”. Após dizer o nome da criança, explicar brevemente porque ela deve corrigir o mau hábito. Repetir durante dez dias, ou mais, se necessário.

No decorrer do dia, não chame a atenção da criança para o defeito em causa, pois pode despertar um negativismo inibitório. Forçada durante o dia a não fazer o que está acostumada, ela, à noite, poderá resistir às ordens positivas da hétero-sugestão. Mas lembre-se: tudo isso não dispensa a necessidade de se procurar as reais causas dos maus hábitos, que podem se originar em problemas de relacionamento, carência afetiva etc. 

É mais eficiente dirigir a sugestão para a causa dos sintomas. Há, por exemplo, uma frase que atinge diretamente a necessidade de afeição, fonte da maior parte das pertubações emocionais das crianças: “Papai e mamãe gostam muito, muito, de voce”. Esta frase fará bem aos próprios pais, às vezes inconscientemente inseguros do seu amor pela criança. Para obter melhor resultados, você mesmo deverá descobrir, por conta própria e através da prática, os pequenos detalhes que aperfeiçoam o método de Coué. É impossível prevê-los minuciosamente, mesmo porque os efeitos variam de pessoa para pessoa.
Tenha em mente as seguintes observações de ordem geral:

Dê tempo ao tempo
: Você quer por exemplo, erradicar um velho mau hábito de sua personalidade. Primeiro: não fique ansioso por resultados imediatos. Lembre-se da segunda lei: na pressa de ver os resultados, você força a vontade e, com a idéia de esfôrço, a sugestão vira-se contra você agravando o defeito. Paciência, persistência, e os frutos virão naturalmente. 

Junte ação à sugestão: Para consolidar os resultados já obtidos, desenvolva ação de refôrço. Você conseguiu, por exemplo, melhorar sua memória pela auto-sugestão. O progresso obtido só se tornará permanente se você continuar os exercícios. Caso contrário, poderá perder terreno. 

Alterne sugestões detalhadas com resumidas
: Foi verificado experimentalmente que, de vez em quando, convém fazer ao subconsciente sugestões mais detalhadas, como se estivéssemos explicando as frases mais resumidas. No momento de adormecer ou acordar é mais indicado usar as sugestões  resumidas, dentro da fórmula preconizada por Coué. Durante o dia, deixe o corpo bem relaxado, procure um lugar sereno e vá detalhando pontos específicos da sua auto-sugestão.

Evite o emprego da palavra “não”:
 Coloque ênfase nas qualidades positivas. Reforçadas em sua mente, elas, por si, eliminarão o defeito. Por exemplo, em vez de sugerir “não devo irritar-me”, diga simplesmente “vou permanecer calmo e tranquilo”.

Não tente convencer-se contra as evidências: O subconsciente não aceita idéias que o consciente tem como falsas. Assim, se você está sentido alguma dor, é inútil repetir; “Não estou sentindo dor alguma”. Diga: “Está passando, está passando...”, ou “Sinto-me cada vez melhor...” Não faça referência à dor, isso chama atenção sobre ela.

Não desanime com eventuais retrocessos. Muitos desanimam ao perceber certa regressão depois do gratificante progresso inicil. Na verdade, tudo que é vivo passa por fases cíclicas de crescimento e estagnação. Se você prestar bem atenção verá que, mesmo retrocedendo, está bem acima do ponto de artida. 
Artigo relacionado: "A Força da Sugestão Mental"
Leia Mais ››

sábado, 22 de junho de 2013

A Corrupção Moderna da Magia.........



MAGIA-NEGRA-A-CIÊNCIA-DO-OCULTISMO
Um artigo escrito por

PROPHECY


Introdução

Esta será uma lição longa, portanto, ao trabalho. Não pule partes por causa de seu tamanho. Leia cada palavra dela, e tome notas diligentemente.
A predominante abordagem à magia, nos dias atuais, deve ser abolida. O processo iniciatório dos maçons e a ideia do avanço espiritual através apenas do conhecimento devem ser deixados como relíquias do passado. Como a Jnana Yoga atesta, e como Francis Bacon declara, existe, certamente, poder no conhecimento. Porém, o melhor poder é aquele ganhado da prática e, consequentemente, da experiência. Um pouco de prática valem muitos livros. Essa deve ser a ideia predominante dos anos vindouros, se a humanidade quiser reviver a irmandade de magos no mundo e redistribuir a carga de trabalho espiritual que, no momento, cai quase inteiramente nos ombros de iogues.
A incompreensão da magia legítima criou uma ameaçadora carência de adeptos ocidentais iluminados. Esses adeptos mestres, reais Deuses-Homens do passado, estão raramente reencarnando. Parece, portanto, que, no geral, existem poucos grandes magos disponíveis. O número deles se tornou escasso; seu nível, baixo. Nos meus tempos de garoto, antes de as minhas memórias retornarem, eu procurei aqui e ali alguma faísca de sabedoria, estudei muitos sistemas de magia e de xamanismo, e, no fim, me senti como Abraão, o Judeu, depois de seus anos de procura pela Ciência Divina, antes de ser abençoado por seu guru, Abramelin. Em lugar algum, eu pude encontrar alguém que merecesse o título de professor da ciência divina. Fraudes e charlatãos eram numerosos, e pessoas pensavam que eles eram magos só porque nunca conheceram um mago verdadeiro. Hoje, essas mesmas pragas ainda infectam bastante as buscas de jovens aspirantes ao redor do mundo.
Existe um número de razões para a escassez atual de sábios na tradição oculta ocidental. Eu me esforçarei aqui para compartilhar com vocês algumas das razões que as minhas experiências com aspirantes esperançosos, os ensinamentos de várias ordens e paradigmas, e meu tempo com as “vítimas” de vários movimentos new age, me levaram a classificar como causas para o problema. Eu baseei essas conclusões nas súplicas de aspirantes esperançosos buscando por iniciação, e nos meus encontros pessoais com alguns dos ditos adeptos de vários grupos e ordens. Ao fazê-lo, eu compreendo totalmente que falar com alguns estudantes e alguns membros superiores nunca pode dar uma representação compreensiva. Porém, eu também compreendo que, não importa quão ideais as condições internas de uma ordem possam ou não ser, ela não deveria levar seus estudantes externos à procrastinação ou a um treinamento inadequado.
Eu identifiquei dez problemas principais na magia de hoje. O primeiro é que o treinamento proposto por certas ordens nos últimos 200 anos ou mais era incompleto, e por eles terem ditado a regra para as ordens de hoje, os problemas continuaram. O segundo é que os materiais originais e manuscritos para certos sistemas são atribuídos com mais valor do que aquele eles realmente possuem. O terceiro é que a mente ocidental transformou a magia em algo feito para se realizar os desejos materiais. A quarta razão para o problema presente é que, na medida em que nossa cultura propaga a concessão à preguiça, a abordagem ocidental à magia se torna mais e mais preguiçosa. A quinta razão é a tendência peculiar da mente ocidental de se tornar altamente investida em sua própria personalidade. A sexta razão é a destruição da sucessão de mestre e discípulo, a causa que é a raiz para muitos outros problemas. A sétima razão, que é um verdadeiro veneno para a evolução, é o movimento presente, na magia ocidental, de se tentar remover a ideia essencial de Deus e o valor da moralidade da magia. A oitava razão é a popularidade crescente de charlatãos, e seu poder sobre as massas ignorantes. A nona razão é a tendência de magos legitimamente treinados permanecerem silenciosos, aceitarem poucos estudantes e escreverem pouco ou nada. A décima e última razão que discutiremos é a atenção dada, no Ocidente, ao desenvolvimento dos poderes mágicos em vez do desenvolvimento de estados elevados de consciência. Essas dez razões primárias bastarão para nossa consideração, embora mais razões pudessem ser listadas.



Treinamento Inadequado em Ordens Modernas

Entre aproximadamente 1850 e 1920, o mundo ocultista presenciou a formação de várias ordens que se ergueram no mundo como realizações gloriosas. De seus ensinamentos, vieram muitos dos livros influentes que agora são considerados clássicos do ocultismo, e os quais agora muitos estudantes otimistas estudam. Infelizmente, essas ordens não eram tão ideais quanto tentavam parecer. A maioria delas usava como fonte manuscritos desatualizados, sobre os quais falaremos mais daqui a um momento, e o resto usava métodos que se baseavam inteiramente sobre estimulação intelectual ou emocional, e muito pouco sobre a consciência da alma.
Essas ordens iludidas criaram muitos iniciados igualmente ou até mais iludidos. Um número considerável deles publicou livros, muitos dos quais agora são considerados clássicos do ocultismo no mundo da literatura ocidental ocultista. Em alguns casos, esses livros tinham riqueza de informação teórica, mas a maioria deles não tinha quase um momento de percepção prática. O aspirante esperançoso é levado a folhear um livro de centenas de páginas, para perceber que ele não absorveu nada dele além de filosofia. Até mesmo os livros chamados de “teoria e prática” deveriam ser renomeados para “teoria e possível aplicação ritual”.
Isso pode parecer uma afirmação iconoclástica. Ela é, e com razão, porque a iconologia da magia está falhando gravemente. Portanto, o que não produz resultados deve ser jogado de lado. “E agora também o machado é enterrado nas raízes das árvores: desse modo, qualquer árvore que não traga bons frutos é cortada, e jogada no fogo. (Mateus 3:10)”. A série de ações à qual a magia ocidental foi levada não trouxe muitos frutos. Essas ações produziram pseudoiniciados que conseguem executar truques de salão, que eles, erradamente, chamam de magia. Enquanto magos de cadeira estiveram gastando seu tempo, exercitando suas mentes com teorias e filosofias, o trabalho prático que realmente cria um mago esteve apodrecendo. Quem pode culpá-los, quando cada livro que lêem diz que precisam saber essa ou essa outra palavra hebraica ou magia simbólica para serem efetivos? Tudo isso compõem as armadilhas postas para o teste de iniciados, testes nos quais essas “autoridades” não passaram.
Um indivíduo pode memorizar sigilos do sol, kameas planetários, selos e talismãs salomônicos, e compreender intelectualmente os muitos processos que compõem a Maquinaria Universal. Ainda assim, ele não será um mago aos olhos de iniciados verdadeiros. Eu conheci pessoas que poderiam ser chamadas de enciclopédias de filosofia ocultista, e, ainda assim, não possuíam rotina diária de prática estabelecida, e nenhuma faculdade mágica de qualquer tipo. Eles estão presos à ilusão de Maya do mesmo modo que os homens comuns também o estão. A única diferença é que eles sabem que existe uma ilusão, enquanto a maioria nem se apercebe disso. Pessoas assim gostam de falar muito, porque, ao se ouvirem, tentam apoiar sua abordagem à magia, psicologicamente, para eles mesmos. Tais pessoas sempre terão uma opinião, sempre parecerão ter respostas prontas, e esse tipo de “aspirante em potencial” torna-se particularmente perigoso aos buscadores genuínos da verdade. Você não pode construir uma base confiável somente nas palavras! Ao mago treinado, aos irmãos e irmãs de minha Ordem (N.T.: Fraternidade Rosa-Cruz), e os verdadeiros mestres reinantes deste mundo, essas pessoas estão mais enganadas do que o mais cru dos iniciantes neste caminho. O grupo deles é o pior, e, infelizmente, não é sempre a culpa deles. Para essas pessoas, eu farei muito esforço para desligar suas mentes e abrir seus corações para receber instrução prática. É por isso que eu aconselho a todos não se tornarem ligados demais a livros. Eu já li todos esses livros, e extraí seus pontos importantes em artigos no fórum do Veritas para o benefício de todos.
Isso não significa que a informação teórica é ruim. Um conhecimento sólido da filosofia ocultista é necessário para que o mago compreenda tudo que faz. Ele deveria se orgulhar de conhecer todas as operações em funcionamento quando ele manipula um tipo de energia, e, quando uma operação mágica se manifesta, ele deveria ser capaz de explicar perfeitamente os mecanismos envolvidos. De fato, ele deve ser um cientista. Contudo, mais e mais pessoas se contentam apenas com o conhecimento da filosofia e o “como fazer”, sem nunca colocarem nada na prática, e, normalmente, sem terem ideia de como fazê-lo. Em muitas ocasiões, estudantes vieram a mim e disseram, “Eu li todos os livros que as pessoas me recomendaram, mas não tenho ideia alguma de como começar o caminho.” Isso acontece porque só a estimulação intelectual não faz de alguém um mago, e, lá no fundo, o estudante inteligente sabe isso. A mente procura por fórmulas e símbolos; a alma busca por prática e experiência.
Que utilidade há em se conhecer como as estrelas afetam as nossas atividades, e não ser capaz de meditar por nem dez minutos? Que utilidade há em se conhecer todas as filosofias sobre quem Deus é, sem nunca experimentar Deus diretamente? Essas pessoas nunca se tornam nada na verdade, mas sim só aparentam ser magos. Você não pode alcançar o Reino através de inquisição intelectual somente. Você precisa viajar até lá.
O ponto ao qual eu quero chegar aqui é que o estudo intenso da Tábua de Bembine de Ísis, ou do selo da Rosa-Cruz, ou do dodecaedro mágico etc. é incorreto. Eu não estou sugerindo que, por exemplo, a investigação das fórmulas do Etz Chaim e dos Nomes Divinos é inútil. Eu não estou dizendo que uma pessoa não deveria compreender os usos mágicos do pentagrama e do hexagrama. Do contrário, eu sou um forte defensor de tudo isso. Porém, tudo deve ser aprendido ao tempo certo! Um aspirante não tem razão alguma para estudar os pentagramas, hexagramas, etc. Ele não deveria passar seus dias praticando magia ritual. Sim, com o passar do tempo isso gerará resultados no termo de crescimento de poder, mas afetará muito pouco a consciência e a realização geral do mago, posteriormente, em sua carreira mágica. Por, pelo menos, os dois ou três anos iniciais, dependendo da aptidão do estudante, o foco deveria ser colocado no treinamento da mente, do corpo material, e do corpo astral para a verdadeira execução da magia. Uma vez que o estudante se preparou dessa maneira, e criou uma excelente base em sua consciência, então ele pode continuar, a fim de compreender e apreciar totalmente o poder de tal conhecimento e do simbolismo oculto.
A razão pela qual esses autores, embora não intencionalmente, cobriram o mundo ocultista ocidental em filosofia, é a de que eles nunca receberam o treinamento correto que deveria dá-los a base da experiência espiritual autêntica. Eles serviam como enciclopédias que regurgitavam o que eles foram ensinados. Juntos, eles criaram uma imagem contraprodutiva de que a prática diária não era necessária para se tornar um adepto. Eles se referiam a pessoas que nem tinham conquistado suas emoções primitivas e desejos como adeptos! Desse modo, eles baixaram muito o nível para as gerações seguintes, que seriam forçadas a olhar os ensinamentos dessas pessoass se quisessem saber alguma coisa sobre magia. Agora que o nível está tão baixo, as pessoas em geral são incapazes de alcançar grandeza espiritual. Portanto, esse nível deve ser elevado novamente, certo?
O que exatamente essas ordens estão fazendo de errado? Seus dois problemas principais foram que eles tentaram ensinar aos iniciados a correr antes de mostrá-los como engatinhar e andar, e eles não incluíram o desenvolvimento do caráter como parte de seu treinamento. O aspirante egoísta, glutão, e de pavio curto, entraria na ordem como neófito, e sairia como um “adepto” ainda contendo essas falhas de caráter. Eles são todos capazes de pequenos feitos de magia, e pelo fato de o nível ser baixo, pensam que são adeptos.
Muitas vezes o aspirante começaria a trabalhar com ritual e forças espirituais muito antes de ter aprendido a como sensibilizar seu corpo astral ou desenvolver suas faculdades mágicas. Através de repetição contínua, alguma proficiência poderia ser alcançada, talvez algumas pancadas fantasmais durante uma evocação ou coisa do tipo, mas o resto de seu ser nunca era desenvolvido. O caminho para a evocação deveria ser um caminho longo e frutífero, que preparasse o estudante de modo que, pela primeira vez que ele execute um ritual, ele receba a total experiência, por causa de seu treinamento e as faculdades que ele já desenvolveu. Pessoas que entram na sala ritual para evocar sem tal treinamento estão apenas enganando a si mesmas. Elas irão, é claro, ser as primeiras a lhe contar que são magos bem-sucedidos, e que elas conversam regularmente com esse ou aquele espírito. Eles dirão que “sentiram” isso ou aquilo, ou receberam essa ou aquela “impressão”, e desse modo “sabiam” que um espírito estava presente. Deixe essas pessoas continuarem desse modo em suas práticas. Na verdade, o que você pode experimentar em uma evocação real não são “sensações” ou “impressões”, mas fenômenos muito reais!
Quantos aspirantes perdidos pensam que executar o Ritual Menor do Pentagrama cem vezes por dia os levará às alturas espirituais? Até mesmo o mago aspirante que medita somente 10 minutos por dia para controle e foco mental fará um progresso em um ano que o outro estudante fará em cinquenta!

Manuscritos originais Sobrestimados

Um número das ordens populares que surgiram no século 19 estilizou uma parte de suas práticas e rituais, baseando-se em coisas que não continham, na verdade, o valor atribuído a elas. Desses manuscritos, talvez aquele que foi mais usado (e abusado) foi o Livro Egípcio dos Mortos. Embora seja uma bela série de rituais e de invocações, os fundadores de uma pretensa ordem oculta não deveriam precisar de se basear em antigos pergaminhos empoeirados e da interpretação de seus hieróglifos para serem capazes de ensinar magia! Se a fonte deles para muitas de suas práticas e filosofias vem de tais coisas, então isso só serve para demonstrar que eles não tinham experiência prática real através da qual organizavam seus ensinamentos, e não eram treinados por adeptos verdadeiros que podiam iniciá-los numa linha de sucessão de mestre e discípulo. Simplesmente o fato de se ler algo que está disponível num Museu de História Egípcia nunca poderia ser o suficiente para permitir que alguém iniciasse uma ordem ocultista.
O Livro Egípcio dos Mortos não foi a única coisa atacada pela ignorância dos autoproclamados adeptos, no entanto. Sua hostilidade os levou também ao coração de Jerusalém, onde eles se uniram, com suas facas, para despejar terror sobre a Cabala. Usando dois ou três textos hebraicos pobremente traduzidos, eles presumiram ter diante deles informação cabalística suficiente para uma compreensão do sistema inteiro. Assim sendo, eles roubaram uma pequena parte desse sistema glorioso de misticismo e a levaram de volta a suas ordens, onde eles tentaram ao máximo fazer com que um fragmento se parecesse com algo completo.
A Cabala ocidental moderna, frequentemente chamada de Cabala Rosacruz (erradamente), se tornou apenas uma fina camada de manteiga espalhada em muito pão. Interpretações e mais interpretações bombardearam o sistema, e o tornaram inteiramente sujeito aos caprichos filosóficos de intelectuais e estudantes de simbolismo. Agora, reconhecidamente, a beleza da Cabala é a de que ela é um sistema universal, cuja ideia pode ser aplicada fora do esquema judaico. Porém, tudo deve ter seus limites razoáveis, e esses limites foram ultrapassados há muito tempo atrás pela maioria dos autores desse assunto. Se você quiser relacionar a esse esquema os deuses de outras religiões, os nomes divinos judaicos, plantas, animais, ações, planetas etc, tudo bem com isso, mas essas relações deveriam fazer ao menos sentido!
A mais infeliz destruição da Cabala não ocorreu em relação ao simbolismo empregado ou a seu papel como um método de categorização conveniente. Embora essas duas coisas tenham saído do controle, elas não são a jóia da Cabala. A jóia, o verdadeiro tesouro, é sua real aplicação prática na ciência da magia. Essa jóia tem sido quase inteiramente esquecida por ordens modernas e autores, que proclamam que a aplicação prática da Cabala reside somente em se conhecer quais nomes divinos ou cartas de tarô correspondem a quais sephiroth e a quais caminhos. Esse é um dos usos da Cabala, mas não é a verdadeira essência da Cabala prática posta em execução. Em sua raiz, anterior a todas as culturas, num nível muito mais profundo do que qualquer associação religiosa, a Cabala é uma bela síntese de forma, de som e de virtude. Isso pode ser dito de outra maneira, ao se afirmar que a Cabala combina, numa maneira prática, os três pilares primários de quantidade, vibração e qualidade. Isso se torna aplicado tangivelmente como luz, som e vibração. Quando isso é compreendido pelo iniciado, então, muitas portas são abertas a ele, e o uso prático da Cabala é entendido. Então, em vez de passar horas num devaneio espiritual, tentando fazer “pathworking” de uma esfera para outra, o adepto consegue absorver praticamente as autoridades e poderes daquela esfera e conquistá-los diretamente, de uma maneira mágica. Não apenas tal abordagem é muito mais eficiente, mas, por causa do maior número de habilidades conseguidas, artigos de sabedoria que se tornam compreensíveis, e por causa de mais trabalho meticuloso em todos os três reinos, é, dessa maneira, uma experiência mais significativa. Passar tempo se contemplando os símbolos de uma esfera pode ser uma prática útil, mas torná-la o curso principal é um erro. A consciência se expande mais quando todo o ser se torna imergido nas energias através de suas utilizações, não apenas através de sua contemplação.
A Cabala e sua aplicação apropriada devem ser, necessariamente, reservadas para um trabalho posterior em minha vida, mas é importante para o estudante sincero da magia de hoje compreender que uma das pedras angulares da magia ocidental moderna foi enormemente corrompida, e que ela não é tudo que as pessoas tentam fazê-la parecer. É meu conselho ao aspirante, se ele deseja aprender a Cabala, que espere até que um professor apropriado seja conseguido. Deixo que o estudante avançado contemple, nesse meio tempo, o significado da sabedoria de Poimandres a Hermes Trismegisto, quando ele disse, “A vida é união da palavra e mente.” O estudante que consegue entender isso, mais especialmente em conexão à formula Abracadabra, começará a pegar a essência da Cabala prática.
Portanto, acontece que os fundadores das ordens mágicas eram, simplesmente, intelectuais. No início, eles só eram mais avançados que o homem comum, em vista de sua compreensão superior de linguística e sua vontade de visitar frequentemente os museus. Por causa de sua habilidade de apenas traduzir, não por sua proeza mágica, tais homens eram tratados como adeptos. Embora houvesse alguns raros, como MacGregor Mathers, que eventualmente se tornou um adepto por um curto tempo, em essência, a maioria deles era simplesmente de intelectuais. Intelectuais podem treinar intelectuais, mas eles não têm nem uma ideia de como criar magos.

A Corrupção da Magia para a Realização de Desejos Pessoais

Quando se folheia livros sobre espiritualidade, e até livros que, supostamente, ensinam a evolução espiritual, descobre-se que a maioria dos ensinamentos espirituais se adequou à satisfação de paixões e desejos mundanos. Ironia peculiar, porque o indivíduo iluminado compreende que essas duas coisas (evolução espiritual e desejos materiais) não podem vir juntos, porque um é contraprodutivo à consumação do outro. Eu não consigo deixar de rir alto ao ler títulos tais como “Tornando-se um Mestre Ascencionado: Como Materializar Todos os Seus Desejos”. Seria igual a intitular um livro de “Tornando-se Elevado: Como ser Inferior.”
A poluição da tecnologia espiritual foi uma inevitabilidade quando alguns relances das leis espirituais foram obtidos pelas massas indisciplinadas. O homem normal, abatido pela tristeza, procura um caminho fácil de sair dela, e erradamente acredita que ele encontrou a alegria dentro dos salões da espiritualidade. Realmente, nada poderia ser mais distante da verdade. Essas pessoas, desejando modos de alcançarem facilmente todos os seus desejos mundanos e terem sucesso, glória, honra, riquezas etc, se trancam ao pequeno número de leis espirituais que foi publicado, nas esperanças de usá-las para seus próprios fins egoísticos. Eles lêem um livro que discute alguns dos pequenos mistérios, e então corrompem essas chaves para fins egoísticos. Se eles tiverem algum sucesso, eles ficam cheios de excitação e, ansiosamente, escrevem livros ou criam websites que pregam os bons ensinamentos do egoísmo. Desse modo, em apenas poucas décadas, a vasta maioria de livros “ocultistas” se tornou livros que prometem ao homem fraco e egoísta um caminho fácil, ao se usar leis ocultas básicas para abastecerem seu animalismo. As pérolas foram jogadas aos porcos, e, tão certo quanto o sol deva nascer e se pôr novamente, também os porcos pisaram sobre essas pérolas, aprofundando-as na lama.
Muito mais perigosos do que o homem de negócios ambicioso desejando modos de aumentar seu portfólio, ou do que aquelas pessoas em sofrimento que procuram por um modo fácil de sair dele, são aqueles que perseguem seriamente a magia prática e ainda assim a corrompem numa arte egoística. Eles proclamam, ignorantemente, “A Magia é uma ferramenta do homem, e deixemos o homem usá-la para conseguir tudo que ele deseja!”. Eles gritam orgulhosamente, “Faça como quiser, tudo é caos mesmo, e não existem repercussões negativas”. Tais pessoas cegaram a si mesmas a até a mais básica das operações, observada até na própria natureza. Elas são tão cegas, contudo, que nem percebem que suas “realizações” não são realmente mágicas. Elas são egoístas e egoísticas, e, realmente, executam apenas truques de salão. Elas ficam tão presas em suas ilusões de sucesso por terem sido capazes de ganhar um aumento de salário ou seduzir alguém que não percebem quão fracos e inferiores esses pequenos truques são. Quando essas pessoas, iludidas como são, passam para os mundos espirituais depois da morte física, eles percebem imediatamente o tempo que gastaram, e depois de servirem o seu tempo, voltam ao mundo para levarem uma vida mais frutífera. Por eles nunca terem buscado uma realização imortal, e não “construíram seu tesouro no céu”, eles não estão mais distantes no caminho supremo do que o homem mediano. Esse é um ponto importante, que todos aqui deveriam dedicar à memória: você NÃO CARREGA poderes mágicos com você para a sua próxima encarnação. Até que você alcance henosis, que é a deificação e a imortalidade do corpo astral, a única coisa que continuará a crescer e expandir, de uma vida a outra, é a sua consciência. Isso irá, naturalmente, carregar algumas siddhis, que são poderes inerentes, mas não os frutos de uma grande parte de seu treinamento mágico. O corpo astral cresce e evolui de uma vida a outra, como resultado de treinamento mágico, e discutiremos isso mais no futuro.
Por causa da obsessão com os pequenos mistérios, que podem ser aprendidos até antes de alguém ter alcançado um caráter iluminado, as pessoas se tornaram satisfeitas com o aperitivo e esqueceram até que a entrada principal exista. O resultado disso é que o termo “magia” tomou um significado ambíguo, que nunca pretendeu de ter: na mão esquerda, refere-se simplesmente à mudança de acordo com a vontade, e, na mão direita, significa a perseguição da evolução espiritual. Se o mundo fosse um lugar bom e o último significado de magia o mais bem conhecido, todos compreenderiam que a magia é uma maneira de se buscar Deus. Esse não é o caso, contudo, e o mundo é um lugar predominantemente egoístico. Assim, a mais comum compreensão do quê magia significa é fenomenalmente egoísta e corrompida. Através da graça de Deus, o século por vir verá uma evolução acontecer dentro do mundo da magia, no qual esse grande e glorioso caminho será exaltado à sua altura correta em seu mérito espiritual.

Preguiça

Na medida em que a tecnologia avança e o mundo material se torna mais e mais uma parte do ser de alguém, as pessoas têm se tornado mais e mais preguiçosas. A preguiça, é claro, é um instinto diretamente conectado ao egoísmo, o qual vimos acima como um desejo dominante no modo com o qual as pessoas abordam a magia. Assim, a preguiça também é inerente na maioria das abordagens das pessoas à magia.
Hoje, as pessoas se acostumaram a ter tudo em suas mãos. O sucesso se tornou definido como se fazer o mínimo possível para alcançar alguma coisa. Pessoas ao redor do mundo, todos os dias, prefeririam passar dez minutos em busca de um controle remoto do que levantarem e ligarem ou desligarem a televisão em poucos segundos de esforço físico. Essas pessoas abordam a magia do mesmo modo. Querem saber onde o controle remoto para a evolução espiritual está, de modo que eles possam se ligar em Samadhi quando não estão muito ocupados para Deus, e então o desligam novamente quando eles têm coisas “melhores” para fazer. Do mesmo modo que se procura por um controle remoto, eles gastarão uma hora numa livraria procurando por um livro “torne-se um mago rapidamente”, quando o fato de se gastar até mesmo dez minutos daquela hora em meditação teria sido muito mais benéfico.
A profundidade do egoísmo da pessoa comum nunca cessa de me impressionar. Eu falo a eles sobre magia, e sobre se procurar Deus e evolução espiritual, e eles desistem porque soa como “muito trabalhoso”. As mesmas pessoas que não jogarão nem dez dólares para um dízimo também não darão a Deus nem dez minutos de seu dia. “Eu dou a Ele uma hora por semana todo domingo”, dizem para si mesmos. “Se isso não é bom o bastante para Ele, Ele precisa superar isso. Eu estou ocupado.”
A falta de habilidade de se perturbar a rotina usual de preguiça por até poucos minutos, por Deus, é precisamente o que muitos autores e os chamados professores pregam hoje. Eles ganham centenas de milhares de dólares ao escreverem livros especificamente criados para esse tipo de pessoa, dizendo a ela “É normal ser preguiçoso”. Nos olhos desse autor, é claro que é normal. Essas pessoas irão torná-lo rico!
Formas de magia que estão surgindo hoje estão refletindo essa preguiça. As pessoas estão tentando convencer outras de que a magia pode ser um esporte de um tipo fácil, e que tudo estará bem. O que eles estão ganhando? Eles estão convencendo pessoas de que magia não é real, porque, depois de tentarem essas tentativas preguiçosas e não verem nenhum resultado, proclamam que, uma vez, tentaram fazer magia e descobriram que era tudo mentira. Nunca diriam que talvez eles só estivessem sendo preguiçosos. O homem comum se levanta orgulhosamente e grita, “Eu, com certeza, não sou o problema!”.
Não espere ter uma boa colheita sem primeiro trabalhar o solo e cultivar as plantas com cuidado. Não espere ter uma boa refeição sem primeiro cozinhá-la. Não espere chegar a um lugar distante sem viajar até lá. O universo não é mau; mas ele não atenderá à sua egoística letargia.

Egomania

A quinta razão que eu observei como fonte dos problemas de hoje na magia, é a egomania geral que infesta o mundo ocidental. No mundo de hoje, somos constantemente ensinados a sermos individuais, que ser único é o sonho humano, que você é especial e diferente de todo mundo, e que tudo isso é bom e verdadeiro. Infelizmente, o incorreto nessas autoafirmações é uma ligação fenomenalmente resistente à falsa percepção de quem se é. As pessoas se tornaram absolutamente investidas em suas cascas de ego que permeiam a parte mais externa de sua personalidade, e a defendem selvagemente.
Um dos medos mais comuns que as pessoas têm no que diz respeito à evolução espiritual é a perda de autoidentidade. Esse medo é baseado sobre duas percepções inteiramente falsas: a falsa percepção do que a iluminação é, e a falsa percepção de si mesmo. Quando esses dois se unem, um medo intrínseco surge, colocando muralhas entre a mente e a ideia de realização espiritual. Em algum ponto, as pessoas colocaram em suas cabeças que a destruição do ego é a destruição de sua personalidade, de seu caráter, e isso é, simplesmente, não verdadeiro. É, na realidade, simplesmente, a purificação do seu caráter, de modo que se eliminem os vícios e defeitos maiores, removendo-se assim o desequilíbrio espiritual. O problema real surge quando alguém é tão defensivo de sua personalidade que defenderá até mesmo seus vícios. Eles dirão coisas como “Claro, eu sou um mentiroso crônico, mas isso é quem eu sou, é assim que Deus me fez”. Tal ideia é inteiramente sem fundamento. Você não é um mentiroso crônico, porque, em sua essência, você é Deus. Apenas sua casca de ego mais externa é mentirosa, e não foi porque Deus o fez, mas por causa de suas ações que você, conscientemente, escolheu perseguir. Contudo, as pessoas não aceitarão isso.
Isso cai novamente no quarto problema, o da preguiça. As pessoas desejam tudo por nada, ou, se elas investem dez dólares, querem instantaneamente cem dólares de volta. Elas não acreditam que um relacionamento com Deus é um relacionamento recíproco, mas sim que é um relacionamento de “servidão”, onde Deus dá tudo, enquanto nós recebemos. Não funciona dessa maneira; nunca funcionou, nunca funcionará. Deus é um pai melhor que isso. Infelizmente, as pessoas prefeririam se apegar a seus vícios do que oferecerem seus aspectos negativos ao fogo alquímico para que sejam destruídos. A uma pessoa assim, o “ser único” é sempre mais importante que a Divindade. Existe esperança para tal pessoa? Você não pode ajudar alguém que não ajuda a si mesmo.
A falta de desejo de se sacrificar as falhas pecaminosas de caráter resultou não apenas na corrupção da magia, mas contribuiu grandemente à queda de um grande número de ordens ocultistas. No campo geral da magia, autores não treinados, que não são mais maduros do que uma criancinha de um ponto de vista mágico estão lançando livros que são absolutamente corrompidos por suas falhas pessoais. No campo das ordens ocultistas, os “adeptos superiores” são ainda crianças egoístas que tramarão vários dramas dentro da ordem, normalmente a fim de abolirem a autoridade do Grão-Mestre, de modo que possam competir com esse poder. Uma ordem ocultista genuína consiste de adeptos que ultrapassaram tais simples preocupações, e que nunca tentarão se elevar para prejudicar outras pessoas ou ao risco de prejudicarem um bem maior. Quando pessoas são permitidas a carregarem todas as suas falhas mundanas para uma posição de, supostamente, autoridade divina, o caos deve, necessariamente, resultar. Precisa-se meramente olhar a história do Papa para ver as evidências.
Deveria ser suficiente, nesse meio tempo, enfatizar que aspirantes nunca são postos em algum programa de lavagem cerebral que faz com que eles pensem e ajam de um modo determinado. Isso não poderia ser mais verdadeiro. Cada pessoa tem uma personalidade absolutamente única, e essa personalidade é uma expressão muito real do próprio Deus. Desse modo, todos são um avatar, uma manifestação de uma Personalidade Divina. A diferença entre uma pessoa comum e um santo realizado, porém, é a de que a pessoa comum turvou e sujou sua personalidade divina com uma lama imunda, enquanto o santo realizado poliu sua alma de modo que sua verdadeira personalidade pudesse brilhar. Você não é quem pensa que é! As pessoas acreditam que são tão velhas quanto seus corpos físicos, mas, na verdade, você é muito mais velho. Pelo fato de que a única personalidade que você pode lembrar é aquela em seu presente corpo, que tem apenas alguns anos de idade, você pensa que é você. A verdade é que você tem uma personalidade universal, uma personalidade muito única, sendo a única expressão total de Deus em essa forma exata, que esteve por aí por muito mais tempo do que o seu corpo. Deslocar a sua identidade de si mesmo da falsa percepção de seu corpo, para o supremo local de sua alma, é a meta da Grande Obra, a Verdadeira Alquimia. Para fazer isso, você deve remover gradualmente a lama que se acumulou como um grosso muco sobre sua alma, de modo que você se torne o você verdadeiro, em vez de esse você mortal e temporário. A personalidade que você tem neste momento tem todas as virtudes positivas da sua alma, mas você adicionou a elas os vários vícios e defeitos que você adquiriu nesta e nas últimas encarnações. A sua personalidade pode ser vista como uma parede cheia de buracos. A luz que brilha através desses buracos é sua personalidade real, enquanto o resto da parede é a imundície e o muco com o qual você se cobriu. A meta da sublimação pessoal é fazer com que o seu inteiro ser brilhe com pura luz.
Isso é, como muitos assuntos do oculto são, uma coisa difícil de ser explicada se usando a linguagem humana. Até com a explicação acima, será difícil, até para os mais inteligentes leitores, absorverem exatamente o que eu estou tentando dizer, até se pensam que compreendem. É algo que deve ser experimentado individualmente para saber, e, portanto, eu evitarei qualquer discussão compreensiva sobre isso.

A Destruição da Sucessão de Mestre e Discípulo

A sexta maior razão para o deplorável estado da magia moderna é a destruição de uma linha de sucessão entre o guru e chela, mestre e discípulo. Quanto mais pessoas lançaram vários livros contendo os Pequenos Mistérios, mais pessoas começaram a, lentamente, substituir o mestre pela estante. Eles colocam em suas cabeças que, desde que consigam ler muito, nunca precisarão de um professor. Não é preciso dizer que essa abordagem raramente encontra sucesso. Por razões que já foram clarificadas, a vasta maioria dos livros de hoje é quase inteiramente inútil para alguém que esteja procurando por um meio prático e eficiente de autoavanço. Seu conhecimento pode crescer, mas sua alma normalmente não.
Uma razão para essa substituição, que deveria agora ser óbvia ao leitor, é o fato de que as pessoas hoje simplesmente não gostam da ideia de um professor, de um guru. Um mentor é, às vezes, bem recebido, mas apenas sob a exigência de que o mentor não seja saudado com muita apreciação, e a de que ele possa ser facilmente afastado. O ego da maioria das pessoas as leva a odiar a ideia de serem subservientes a um verdadeiro professor, por até mesmo pouco tempo, para assegurarem sua evolução espiritual. Isso as faria sentir menos sagradas que o guru, o que, de fato, elas são, e isso machucaria demais os seus egos. Dessa forma, elas não tolerarão isso.
Isso tudo fez com que muitos autores de hoje não tenham recebido treinamento legítimo de um professor verdadeiro. O conhecimento que eles apresentam em seus livros é, simplesmente, a mesma informação reprocessada que qualquer um poderia armazenar com tempo suficiente numa biblioteca, e eles, portanto, não se tornaram melhores que seus predecessores uma centena de anos atrás, os quais pensavam ser adeptos simplesmente por causa de sua habilidade de compilar a informação disponível. Tais autores, assim, começaram uma tendência que infectará totalmente os autores do amanhã, e, dessa maneira, solidificará essa tendência infeliz e autodestrutiva. Eu rezo seriamente para que, no futuro, mais adeptos que tenham passado por treinamento real nas mãos de um professor treinado dêem um passo à frente e passem os ensinamentos de seus mestres para o mundo. Até se isso acontecesse, cada livro deveria dizer dentro de suas páginas o que eu estou precisamente para dizer: embora o conhecimento ajude e ilumine a mente, a iluminação da alma deve ser recebida de um bom professor.
Por que você não pode fazer tudo sozinho? Por que você não pode ser aquele “lobo solitário” sobre o qual você ouviu falar? Aquele lobo solitário e durão que nunca precisa da ajuda de ninguém? Supere você mesmo. Você não pode fazer isso sozinho porque você nem sabe o que fazer ou onde começar, e se você soubesse, você não entenderia como fazê-lo mesmo assim. Se você pode derrotar o seu ego o suficiente para admitir isso, então você pode ainda ter esperança para o Reino de Deus. Se não, então você está muito mais interessado em si mesmo do que em Deus. Um livro pode sugerir lugares para começar, pode fornecer fórmulas e técnicas práticas (embora poucos, muito poucos o fazem) e podem até suprir uma rotina de treinamento completa. Até se você tenha esses livros memorizados, a quem você se voltaria quando um obstáculo surgisse que você não pudesse superar intelectual ou espiritualmente? Se você, embora com treinamento rigoroso, não visse resultados, como adivinharia o porquê disso? De qual lugar você receberia a informação que nunca foi antes publicada? Além disso, você seria forçado a aceitar a legitimidade de qualquer sistema de treinamento ou séries de informação, baseado inteiramente sobre a sua própria crença. Quando você tem um bom professor que está lhe iniciando diretamente, numa linha de mestre e discípulo, na magia genuína, então você tem alguém para se referir como um modelo e um exemplo. Você consegue ver quão efetiva essa abordagem à magia é, toda vez que você vê o seu professor. Através das ações dele, você pode decidir se o sistema é válido ou não. Dessa forma, o professor destruirá níveis de dúvida que, frequentemente, infectam pessoas que se submetem ao que agora é popularmente chamado de “autoiniciação”.
Neste ponto, nós dificilmente poderíamos continuar sem uma rápida consideração de uma jóia em particular, o livro O Caminho do Adepto, pelo Mestre Arion, Grande Iniciador Rosacruz, o S.F.C.R. (Sagrado Frater Christian Rosencreutz), que vocês conhecem pelo nome de Franz Bardon. Essa grande alma, um dos doze maiores adeptos mestres na inteira Fraternidade Branca, que governa particularmente sobre a iniciação, veio ao mundo em total Nirvikalpa Samadhi, na glória de seu corpo astral imortal, por toda a humanidade. Houve um grande sacrifício nisto.
Urgaya o invocou e ordenou que, enquanto estivesse aqui, ele lançasse ao mundo os primeiros três dos vinte e dois estágios de iniciação da Fraternidade Branca. Ele o fez, mas, do mesmo modo que Veos e eu fizemos, ele suavizou o sistema consideravelmente, para alcançar e ajudar o maior número possível de pessoas, enquanto tomava como estudantes pessoais aqueles poucos que estavam prontos para os ensinamentos mais sérios. O resultado desse serviço altruísta foram os três livros que ele escreveu, que foram feitos para levar o estudante até o ponto em que ele atraia um mestre espiritual que o inicie nos Grandes Mistérios. Embora essa trilogia seja excelente, particularmente seu primeiro livro, O Caminho do Adepto, eles ainda contém todas as inibições que um livro traz. Você não pode perguntar questões ao livro, não pode receber experiências espirituais dele, não pode chorar nos seus ombros quando o mundo parece ter se voltado contra você. O livro não irá assumir o seu karma para te ajudar, não limpará suas nadis e trabalhar nos seus chakras, não imergirá você, amavelmente, em sua própria aura. Acima de tudo, não servirá como um canal de mediação entre sua Kundalini pequena e a Kundalini Cósmica superior.
É minha convicção, baseada na experiência, que existe somente um tipo de pessoa que pode se submeter à autoiniciação com sucesso sem nunca ter tido um professor. Deve ser um adepto reencarnado que está simplesmente recapitulando seu desenvolvimento mágico de vidas passadas. Para tal pessoa, na medida em que ele aprende até apenas técnicas básicas, suas memórias mágicas começarão a, quietamente, voltar a ele, na forma de intuição acurada sobre como certas coisas deveriam ser executadas. Essa intuição mágica guiará suas ações, e sua alma guiará a consciência aos lugares corretos. Essa pessoa não precisa de um professor. Porém, a um tempo atrás ele certamente teve um, e se não tivesse sido pelo professor, ele nunca teria se tornado o adepto que se tornou.

A Remoção de Deus da Situação

Na medida em que o mundo se torna, gradualmente, mais materialista, uma escuridão começa a envolver o intelecto de pessoas inteligentes. É um tipo de doença que dá a uma pessoa cegueira e a torna surda; de fato, deixa-a quase completamente insensível a qualquer estímulo. O nome dessa aflição, que paralisa e torna mudos todos os três corpos, é chamado Ateísmo. Quando algumas pessoas são afligidas por ele, tornam-se totalmente desafiantes contra todos os impulsos espirituais que sugiram a existência de Deus. Eles são uma ninhada de pessoas peculiar, sendo ignorantes ao grau de se tornarem engraçados aos olhos do iniciado.
Existe uma ninhada particular de ateístas que é mais divertida que todas as outras. É uma ninhada relativamente nova, que apareceu apenas neste século passado. Esse tipo de pessoa é um ateísta que acredita que fenômenos espirituais são, na verdade, fenômenos físicos num nível altamente refinado, e dessa forma buscam explicações para as coisas espirituais. Eles não negarão que as energias dos elementos, por exemplo, existem. Eles simplesmente pensarão em alguma teoria absurda e estúpida de como essas energias são apenas divisões de uma substância mental física, mas enormemente refinada, e que suas qualidades atribuídas são algum tipo de ilusão. Eles dirão que espíritos são as expressões externas de arquétipos subconscientes na psique, e sugerem que, quando eles são conjurados à aparência visível, tudo que está ocorrendo é autohipnotismo. Essa estranha espécie de pessoa fará tudo pelo motivo de ser capaz de sugerir que Deus não existe, que mundos espirituais não são reais, que não existe alma, etc, etc.
É óbvio ao iniciado que qualquer pessoa que se submeta ao treinamento adequado possa provar a si mesma além de qualquer possibilidade de dúvida que espíritos não são arquétipos pessoais, que mundos espirituais existem, que existem energias externas diferenciadas, que a alma é real e imortal, e que Deus é uma verdade eterna. Qualquer pessoa que sugere ao contrário está fazendo-o do ponto de vista da teoria e especulação somente, e não tem base prática na magia. Embora o iniciado devesse sempre mostrar respeito sobre a opinião da outra pessoa, de modo a não causar conflito imediato e desconforto, ele não deveria permitir ser persuadido por tais argumentos. Frequentemente, essas pessoas são ótimas em argumentar e debater, mas não podem fazer quase nada a esse respeito com magia verdadeira. Dessa forma, deixe-os falarem a si mesmos enquanto você quietamente volta a sua mente à meditação sagrada.
Isso precisa que consideremos um ponto importante, contudo. Apenas você, no fim, pode provar a si mesmo a realidade de todas essas coisas. Apesar de todos os meus poderes e siddhis, eu não posso fazê-lo. A mente animal duvidará da sua escolha de perseguir esse caminho a cada virada, e, acima de tudo, também tentará me fazer duvidar, não importa o que eu faça. Alguns exemplos podem ilustrar bem este ponto. Ano passado, quando eu estava morando com um grupo de oito aprendizes (com mais cinco visitando regularmente) num belo lote de 5 acres firmado entre árvores e invisível a todos os vizinhos ou à estrada, uma grande tempestade apareceu sobre nós. O vento uivava ferozmente, a chuva parou por um momento, e, então, no pátio próximo a nós, um tornado começou a descer. Os aprendizes, até Veos (até hoje eu brinco com ele sobre isso!) ficaram muito assustados. Na verdade, eu estaria assustado também, apesar da minha confiança para lidar com a situação, se eu não tivesse aberto meus olhos de uma maravilhosa hora de meditação profunda no momento em que o tornado começou a surgir. A mim, naquele estado elevado de felicidade, o tornado era apenas uma demonstração da natureza para ser amada e reverenciada. Apesar disso, eu me esforcei o suficiente para me convencer de que o tornado, tão próximo à casa, era uma coisa ruim. Eu me coloquei na direção da tempestade, com Veos ao meu lado e ajudando, e nós dois elevamos o tornado de volta ao céu e redirigimos a direção da tempestade para longe da casa. Isso foi feito com todos os estudantes assistindo. Em outra ocasião, apenas quatro semanas antes, eu usei um sigilo para criar uma chama sólida e negra no coração de um grande fogo ritual que todos viram e cuja realidade de sua presença atestaram. No momento em que começou a chover, por ele ser um importante ritual do fogo, eu chamei um espírito que me serve para nos proteger da chuva. A chuva parou, mas os estudantes logo notaram que estava chovendo em todos os lugares da propriedade, menos no lugar onde estávamos!
Eu estou relembrando essas coisas não para glorificar a mim mesmo, mas para ajudar a ilustrar este assunto. Embora eu demonstrasse essas aparentemente “maravilhosas” ocorrências, sem pouco esforço meu, eu rudemente exibia a magia aos meus estudantes como um prêmio por sua devoção duradoura aos meus ensinamentos, e, mesmo assim, essas coisas não preveniam suas mentes de, às vezes, duvidar que magia não existia. Pouco menos de um mês depois do incidente com o tornado, um dos meus estudantes melancolicamente veio a mim e confessou que ele estava tendo de lutar com a dúvida, porque ele nunca tinha visto antes um poder mágico. Numa classe do Veritas quatro anos atrás, eu tive um estudante para o qual, um dia, eu mandei uma mensagem e informei que ele estava desenvolvendo uma infecção de sinus. Sendo alguém que duvida por natureza, ele decidiu não tomar nenhum remédio. Quatro dias depois, ele pegou uma infecção de sinus, e, num instante, eu o curei da infecção completamente. Eu não consegui mais informações desse estudante, que terminou aquela classe como um estudante de magia muito devotado, por um longo tempo depois que a classe terminou. Eu descobri, poucos meses atrás, que, pouco depois da minha classe terminar, ele decidiu que eu era uma fraude e um mentiroso, e que eu não tinha habilidade mágica ou consciência elevada, e que ele estava convencido de que magia em si pudesse nem ser real.
Essas, e outras experiências parecidas, me convenceram de que não é o dever do professor fazer o estudante acreditar em magia, e, realmente, que o professor não é capaz de fazê-lo, não importa quais habilidades ele possa ter demonstrado. No final, a última evidência convincente que o estudante será capaz de usar para conquistar a dúvida de seu ser inferior é a evidência que surge de suas próprias práticas continuadas, as recompensas de sua fé douradoura em seu caminho.
Mas, voltando ao assunto à mão, é uma grande má sorte ao mundo dos aspirantes sinceros que esses mesmos ateístas estão realmente se juntando para formar sistemas de “magia” juntos, embora esses, na realidade, sejam feitiçaria astral no máximo. Ao fazê-lo, eles estão apelando aos lados animalistas e mundanos da consciência do ego que governa sobre os não iniciados antes de alma ter uma chance de se agarrar a algo significativo. Por tais sistemas de feitiçaria não terem nenhuma ênfase real na moral, por eles não terem ideia nenhuma de Deus ou de avanço espiritual, as pessoas estão se unindo para achar uma desculpa para praticar o que eles pensam que é magia sem ter de desistir de seus modos pecaminosos de viver. Tais pessoas adoram se ostentar, dizendo “Eu descobri que magia é tão efetiva sem o componente espiritual desnecessário”. Eu juro a todos vocês, pelo meu grande amor por essa ciência, que, nos meus anos de magia, eu nunca encontrei, nunca mesmo, nenhum estudante dessa escola de feitiçaria que poderia produzir até a mais simples das demonstrações mágicas. Eu nunca descobri um estudante dessa escola que possuísse alguma das faculdades mágicas a um grau demonstrável ou talvez significativo. Por quê? Porque eles estão praticando ideias, não verdades. Eles estão tentando fazer com que o universo satisfaça os seus próprios desejos egoísticos, em vez de quererem sacrificar qualquer coisa que seja para se tornarem magos reais.

Charlatãos

À luz de todas as razões previamente mencionadas, deveria se tornar óbvio que charlatãos e fraudes naturalmente surgiriam. A falta quase total de iniciados verdadeiros e adeptos conhecidos às pessoas comuns tornou impossível se comparar uma fraude contra a coisa real. Os fraudadores, é claro, saberão isso, e usam isso ao seu favor. O fato de que existam tantos enganadores que se tornaram muito bem-sucedidos não sugere em momento algum que eles tenham alguma habilidade, mas, em vez disso, simplesmente mostra o quão mal informada e enganada a pessoa comum é nesses assuntos.
Bem como fizeram no início dos anos 1900, médiuns começaram a ir e vir e a escreverem pilhas de lixo para encherem as estantes das livrarias modernas. Essas pessoas, que são normalmente tão boas em enganar a si mesmas quanto a enganar os outros, lançam livro após livro. Eles escrevem centenas de páginas, e ainda, de alguma forma, não dizem nada nelas. Eles citam seres espirituais como a fonte de sua sabedoria, ou guias espirituais, ou animais totem, ou trevos de quatro folhas e tal nonsense. Embora eu ainda não o tenha encontrado, eu estou certo de que exista um médium por aí que alega receber instruções místicas de seu sanduíche de presunto. Não seria mais absurdo que as alegações anteriores. Embora, é claro, uma vez, eu tive uma conversa muito reveladora com uma garrafa de coca-cola, e um espírito decidiu, por uma razão qualquer, falar comigo numa voz audível que até os não iniciados poderiam ter ouvido.
Se tais médiuns estão de fato conversando com seres espirituais, então esses espíritos são muito misteriosos ou são muito estúpidos. Se esses médiuns estão conversando com guias espirituais, eles devem estar precisando despedir seus guias e encontrar novos. Em minhas experiências com seres espirituais, animais totem e guias espirituais, nenhum deles era tão mal informado quanto os desses médiuns. Dessa forma, podemos concluir que é muito provável que eles não estejam falando com nenhum dos acima, mas, em vez disso, que eu estou terrivelmente enganado, e que todos estão, na verdade, conversando com sanduíches de presunto. Se eles estivessem conversando com garrafas de coca, então, baseado na experiência, eu seria levado a acreditar que seus livros poderiam ter sido melhores.
Nada disso implica que todos os médiuns são fraudes. É, porém, um infeliz fato que a vasta maioria de fraudadores alegue ser médium, e, se o resto da comunidade de bons médiuns não quiser ser associada com esses charlatãos, então eles deveriam aparecer e lutar contra eles. Eu conheci vários bons médiuns em meu tempo, alguns deles naturais e outros treinados, portanto, essas declarações, de modo algum, se aplicam a esses tipos de pessoa. O leitor observador, porém, será capaz de fazer uma caminhada, achar uma estante de New Age numa livraria popular e ser capaz de ver precisamente de quais autores eu estou falando.
O grupo de médiuns impostores é apenas uma das duas maiores categorias de fraudadores na comunidade ocultista. Para a pessoa firmada em pensamento racional e com pelo menos alguma educação em literatura ocultista, os médiuns impostores são comparativamente fáceis de serem reconhecidos. Embora eles agarrem um número entristecedor de otimistas da New Age, os mais eruditos tendem a ficar longe deles. É, portanto, minha opinião que o mais perigoso dos dois grupos não é o médium impostor, mas o sim mago impostor.
O mago impostor é muito mais difícil de distinguir, e apenas alguém que é firmemente enraizado na experiência prática pode descobrir o disfarce. Existem autores que escrevem livros que fascinam seus leitores sobre simbolismo oculto, aparente conhecimento da Cabala, algumas correspodências ocultas etc, e mostram isso como se a experiência os tivesse levado a acreditar nessas coisas. Eu não estou falando aqui de meros ocultistas. Um ocultista é um filósofo, portanto ele se preocupa com as várias cosmogonias filosóficas, em vez de experimentar o lado prático da espiritualidade. Desse modo, é perfeitamente normal para um ocultista falar num nível puramente intelectual, igual ao filósofo. Não, eu não estou me referindo a esses autores, mas aos autores que criam um véu de suposto conhecimento experimental. Essas pessoas são geralmente indivíduos que aprenderam e, subsequentemente, praticaram apenas duas ou três técnicas básicas, e, então, se consideraram a si mesmos grandes magos. Eles escrevem livros sob esse propósito, e prescrevem ridículos regimes de treinamento para seus leitores.
Tudo isso naturalmente resultou numa situação na qual pessoas que queiram aprender magia, queiram comprar um livro e, por causa da probabilidade, pegarão um livro escrito por um autor fraudulento. Percebendo como pessoas que são completamente novas à magia não são tão sábias, elas acreditam em muito do que é dito, e assim a corrupção começa. Muitos desses aspirantes promissores vieram à minha casa por um curto tempo, e eu descobri que, depois de alguns anos de encherem suas mentes com tal lixo, eles se tornaram ligados demais a esses mundos ilusórios para serem salvos pela luz da experiência prática. Espero que, nas próximas vidas deles, suas almas levarão suas mentes a buscarem algo mais elevado.

A Nona Razão
O Silêncio dos Adeptos

Durante o período do Renascimento, e por um tempo após, houve um número de adeptos que escrevia. O advento do aparecimento público dos rosacruzes na Europa, por um pouco tempo, gerou informação suficiente para os autores discutirem por muitos anos. Pessoas como Paracelso, Agrippa e Francis Bacon forneceram suficientemente os Pequenos Mistérios às pessoas. Autores rosacruzes como Francis Bacon promoviam a iluminação intelectual das pessoas, como a Ordem Exterior Rosacruz (que eventualmente gerou a Maçonaria), focada primariamente no avanço espiritual através de conhecimento e de sabedoria em vez da prática. As práticas estavam presentes, mas eram normalmente ritualísticas e reservadas para dias especiais. Os exercícios mágicos verdadeiros eram mantidos para o próximo nível de iniciados.
Autores como esses forneciam tanto uma vantagem quanto uma desvantagem. De um lado, as pessoas estavam engajando suas mentes, pela primeira vez, no feijão-e-arroz da magia teórica. Em vez de lerem sobre demônios e feitiços mágicos, eles podiam aprender sobre o magnetismo espiritual, o archeus, os éteres, a lei de atração, a lei do microcosmo, e por aí vai. Alguns dos Pequenos Mistérios mais básicos tinham finalmente se tornado disponíveis às pessoas. Isso permitiu que leitores da época checassem duas vezes os escritos de pessoas sobre ocultismo contra autoridades conhecidas. Embora fraudes e charlatãos estivessem ainda rampantes, eles não estavam se focando tanto nas contribuições literárias ao ocultismo e assim não deixaram uma impressão duradoura sobre aspirantes das gerações futuras.
Por outro lado, a explosão de informação intelectual sem uma fundação de trabalho prático levaria gerações futuras ao engajamento somente na filosofia, em vez de na magia verdadeira. Isso permitiria a todos que tivessem lido alguns livros a regurgitarem a informação em novos livros e chamá-los seus. Acima de tudo, deixaria muitas questões sem resposta nas mentes de muitos aspirantes sinceros, sobre onde começar e como avançar na magia. A tendência de alguns dos grandes magos do passado de não aceitarem discípulos diretos resultou numa falta de sucessão de mestre e discípulo, como foi falado anteriormente, e o fato de nenhum manual real de avanço na magia ter sido publicado resultaria em autores lançando livros em assuntos puramente teóricos, em vez de terem investigado praticamente suas ideias.
Nos últimos cinqüenta anos, quase não houve adeptos escritores, e até aqueles que escreveram algo normalmente não forneceram uma base prática para os leitores. Toda uma geração surgiu e desapareceu sem ter quase informação publicada confiável sobre magia. É claro, tudo isso aconteceu de acordo com a Providência Divina, e há razões exatas para os períodos históricos de silêncio que os adeptos escritores assumiram e assumem. Ainda assim, é importante considerar os efeitos desses períodos.
Os poucos adeptos que ainda estão por aí no hemisfério ocidental têm permanecido silenciosos, e talvez por razão, porque o dom de expressar ideias na linguagem escrita não pertence a todas as pessoas. Pelo fato de existirem tão poucos adeptos, existem poucos autores entre eles. Eu espero honestamente que, num futuro próximo, isso comece a mudar.

A Falta de Expansão da Consciência

A natureza incompleta das deploráveis desculpas de muitas ordens modernas para rotinas de treinamento resultou na quase extinção da real expansão de consciência entre os chamados iniciados. Seus estudantes recebem complicado “pathworking” e várias invocações para executarem, mas esses são meios tão indiretos de progresso que uma inteira vida de prática renderia pouco sucesso. Infelizmente, a lavagem cerebral de muitos aspirantes hoje os convenceu de que um conhecimento simplesmente experimental dos símbolos das esferas elevadas, e até seu funcionamento, é a realização de modos superiores de consciência. Isso simplesmente não é verdadeiro. Até se você colocar sua mente regularmente na contemplação de reinos nos quais vibrações são muito mais elevadas e puras que as suas, nunca se produzirão os mesmos resultados se você tivesse elevado sistematicamente sua consciência a esse nível. Isso dá um bom suplemento, mas não deveria ser a completa abordagem.
Existem duas principais maneiras de se expandir a consciência:
1) Imergir-se em energias, como em invocação ou viagem esférica.
2) A ascensão gradativa da Kundalini psicossexual da base da espinha e órgãos sexuais até o córtex cerebral.
Nenhum desses métodos resultará necessariamente na realização do outro. A ativação dos seis maiores centros inteiros da consciência na espinha não resultará no aumento de vibração no seu corpo astral, para se adequar às vibrações das esferas elevadas, e passar tempo em esferas mais elevadas não despertará automaticamente a Schechinah-Kundalini e despertar as fortalezas, de modo que ela possa entrar e estar com Elohim-Siva. No mago, ambos deveriam ser realizados. O primeiro é a deificação de si de fora para dentro, e o segundo de dentro para fora.
Até os sistemas de treinamento que utilizam pelo menos o primeiro método de ascensão da consciência, sendo o mais comum no mundo ocidental hoje, não prestam tanta atenção a ele quanto deveriam. Muito frequentemente, ênfase excessiva é dada sobre as habilidades mágicas, ou pelo professor ou na mente do estudante. A meta da magia se torna o poder, em vez da evolução da consciência pessoal. Quando nenhuma habilidade é conseguida, ou uma vez que a curiosidade científica do estudante seja satisfeita, o caminho para. É por essa razão que as escrituras orientais advertem tão ferozmente que poderes mágicos devam ser rejeitados, e não porque tais poderes são inerentemente maus. Os iniciados do Oriente compreendiam simplesmente que, se o estudante acreditasse, do primeiro dia de seu treinamento, que habilidades mágicas eram ruins, ele provavelmente não sacrificaria depois sua evolução espiritual por causa da tentação dessas siddhis. Ele não se distrairia. Na realidade, isso não é ruim, e o estudante é altamente encorajado a adquirir várias habilidades mágicas para manifestar a Vontade Divina mais efetivamente no mundo, mas isso deve ser abordado muito metodicamente e apenas de uma base muito bem estabelecida, com os motivos corretos.
“Pathworking” se tornou, infelizmente, o modo principal com o qual as escolas ocidentais tentam fazer com que seus estudantes expandam sua consciência, mas existem muitas desvantagens nisso. O estudante consegue captar uma compreensão intuitiva de esferas superiores ao elevar suas vibrações às delas diretamente. Quando ele tem um flash e uma visão de Tzaphqiel, ele percebe o simbolismo de Luna e de Hécate, e compreende o tridente e os quatro minotauros índigo que cercam o Templo da Deusa de Três Faces e o Homem Nu, e começa a acreditar que ele realmente elevou seu status espiritual à esfera de Yesod. A iluminação intelectual sobre simbolismo universal é confundida com realização espiritual legítima. O resultado é que o tolo que consegue superar as imagens do Demônio de Face de Cachorro e o Portador do Vinho no limiar do abismo intelectual acredita ter fatualmente cruzado esse abismo e emergido no outro lado como “Magister Templi” ou qualquer cargo sua facção possa ter designado para essa realização. A direção do simbolismo, e a natural habilidade da mente de entrar num modo de resolução de problemas, quando confrontada com a diversidade, levou, neste caso, a mente racional a uma série de equações lineares, resultando na compreensão de certos símbolos ocultos. Embora essa compreensão tenha um efeito positivo sobre o espírito, é quase uma blasfêmia dizer que essa estimulação intelectual sozinha pode ser considerada como uma cruzada do Abismo. Quando a respiração cessa, quando a pele se torna gelada e as suturas entre os ossos parietal e occipital do crânio ficam quentes, quando visões de anjos e personificações de Deus aparecem no olho da mente, quando todas as escrituras se tornam instantaneamente compreendidas, quando os joelhos de cada anjo e arcanjo se dobram em reverência, quando a aura se estende para encompassar um inteiro vale, quando a palavra se torna universalmente criativa, então saiba que o abismo foi cruzado. Procure o homem com o inteiro universo em seus olhos; ele é um deus.
Isso deve bastar por agora. O estudante terá agora uma sólida compreensão dos problemas no modo com o qual a magia é frequentemente praticada hoje, e, com esse conhecimento, ele pode escolher começar seu caminho com uma compreensão correta e a salvação resultante desta bela ciência. Eu forneci nesta aula meras linhas de direção pelas quais o estudante pode checar a si e àqueles que se chamam gurus. Busque o homem que fala da autoridade da experiência, e não da autoridade dos livros.
 
Leia Mais ››

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...